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 segunda-feira, 4 de abril, 2005

 A resposta

Provavelmente ainda se lembram, escrevi há uns tempos para o IPS (Instituto Português do Sangue) a fazer perguntas sinceras acerca da restrição feita a homossexuais masculinos nas dádivas de sangue!
A resposta, como se fosse grande estrela, tardou e fez-se esperar. Quando já uns desesperavam e os restantes simplesmente não a esperavam, eis que ela chegou!
Evocou, em mim, esperança na humanidade e no bom senso, que depressa se desfez com uma leitura rápida...
As respostas dadas são basicamente um palavreado a contornar o assunto para no fim dizer que a restrição existe... porque sim!
Perante tamanha homofobia institucionalizada e, ainda para mais, confrontado com o facto de que isto acontece por esse mundo fora (ingénuo, fui confirmá-lo eu mesmo, descrente, mas é mesmo assim), só me apetece insultar os senhores, descer ao seu nível argumentativo... Como não tenho tempo a gastar com isso, deixo os senhores a chafurdar na sua ignorância e deixo as coisas andarem... Se algum dia quiser realmente dar sangue, desde que consciente que preencho os requisitos lógicos necessários, fá-lo-ei, mentindo se preciso!
A resposta aqui fica, de resto, na íntegra (retirei os contactos por não achar pertinentes, só), para que alguém me ilumine quanto a algum argumento minimamente racional e aceitável no séc. XXI que me tenha escapado:

   Gonçalo,
   Recebemos o seu e-mail que agradecemos. Estamos a responder com algum atraso pelo que apresentamos as nossas desulpas.
   Quanto à questão que nos coloca, vimos informar que, os dadores de sangue são pessoas generosas e responsáveis do seu dever cívico e humanitário, e que sabem que o sangue se destina a ser administrado a doentes que estão fragilizados e indefesos nos hospitais.
   O exame médico que antecede a dádiva, tem dois objectivos :
   1.Saber a história clínica do dador para que este não seja prejudicado na sua saúde, pelo facto de doar sangue.
   2.Saber os hábitos/comportamentos e estilo de vida do dador para que o doente que venha a receber esse sangue, não seja prejudicado também na sua saúde.
   Os profissionais que fazem a observação clínica dos candidatos à dádiva, têm o dever de proteger quer os candidatos a dadores, quer os receptores de componentes sanguíneos.
   Apesar de todo o sangue ser sempre analisado segundo a legislação em vigor, as pessoas que têm estilos de vida que os leva a estar mais expostos a determinados agentes infecciosos, não devem doar sangue porque podem comprometer a segurança da transfusão.
   Os candidatos à dádiva devem ser informados e esclarecidos de todo o processo da dádiva, para que em consciência e com responsabilidade saibam que podem estar a prejudicar os doentes, se omitirem factos relevantes do seus hábitos/comportamentos e estilo de vida.
   Todos nós podemos ser potenciais receptores de transfusão, e todos queremos a segurança da transfusão.
   Os critérios de selecção de dadores de sangue nacionais e internacionais, à luz dos conhecimentos técnico-científicos actuais, não permitem que a homossexualidade masculina, entre muitas outras situações, seja aceite para a dádiva de sangue.

   Esperamos ter dado resposta à sua dúvida e estamos ao dispôr para algum esclarecimento adicional.
   Com os melhores cumprimentos,
               Leonilde Outerelo
               Responsável S. Promoção e Colheita do CRSL

Postado por pUtoFisH a.k.a. gonçalo @ 21:58
Viva a cataplana! 13 kg de fish!! :: Comentários

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